segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Sonhava vê-la de noiva, diz noivo de jovem morta em queda de helicóptero

Além da noiva, morreram o seu irmão, Silvano Nascimento, 40, o piloto e uma fotógrafa, que estava grávida de seis meses.


De acordo com os bombeiros, além da noiva, estavam no helicóptero um irmão dela e a fotógrafa do casamento, que estava grávida.

A auxiliar de enfermagem Rosemere do Nascimento, 32, morta no domingo passado (4) na queda de um helicóptero, começou a juntar dinheiro para o casamento antes mesmo de saber quem seria seu noivo. "Seria um conto de fadas. Tudo produzido nos mínimos detalhes", disse o noivo, Udirley Marques Damasceno, ao "Fantástico", da Rede Globo.

A entrada triunfante estava nos planos para o casamento perfeito de Rosemere, que decidiu surpreender a todos chegando de helicóptero no sítio em aconteceria a cerimônia, em São Lourenço da Serra, na região metropolitana de São Paulo. Mas a aeronave acabou caindo no percurso. Além da noiva, morreram o seu irmão, Silvano Nascimento, 40, o piloto e uma fotógrafa, que estava grávida de seis meses.

Udirley ficou sabendo do acidente pelo dono do sítio quando já estava pronto para a cerimônia. Os mais de 300 convidados também estavam no local aguardado Rosemere. "Pra não chorar e mostrar para o povo, saí andando até a praça dos brinquedos das crianças. Fiquei lá, praticamente desmaiando", conta ele. "Meu sonho era vê-la de noiva".

O casal era evangélico e se conheceu na Congregação Cristã, em Taboão da Serra (Grande SP). Foi um ano de paquera, até que eles começaram a trocar mensagens. Pouco depois do começo do namoro, decidiram casar. Gastaram na festa em torno de R$ 40 mil. A chegada de helicóptero estava incluído em um pacote especial. "No dia seguinte, todos vão achar que sou rica", disse Rosemere a uma cunhada que sabia da surpresa.

"Nós queremos apuração. Que a justiça seja feita. Ela ia realizar o sonho dela, o meu, o de todos que estavam aqui", afirma Udirley.

O acidente A aeronave, modelo Robinson 44, voava em direção ao sítio Recanto Beija-Flor, onde haveria a festa. Caiu por volta das 16h de domingo (4), perto da rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo ao Sul, e a 5 km de onde estava programada a celebração.

No horário do acidente, a região tinha tempo encoberto, com neblina, chuva fraca e baixa visibilidade, segundo os institutos de meteorologia -situação que dificulta voos.

O vigilante Rubens Pires, 36, diz que o helicóptero dava voltas, como se procurasse um local para pousar. "Ele foi e voltou duas vezes. A hélice parece que se desfez e depois ouvimos um barulho do helicóptero caindo no meio das árvores."

A cuidadora Cíntia Camargo Pires, 35, disse que viu a aeronave girando antes de cair. "Estava saindo fumaça. A hélice estava parada, e o helicóptero é que girava."

O helicóptero estava registrado na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) na categoria privada de serviços aéreos e não tinha registro para fretamento, ou seja, para ser usado como táxi aéreo ou comercialmente.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Violinista que tocou ‘Titanic’ já tinha se apresentado para Cabral e Adriana

Pedro Zuazo, jornal Extra / Globo
Em novembro de 2009, quando a cantora Madonna visitou o Morro Dona Marta, o violinista Rodrigo Silva estava na primeira fila da orquestra que se apresentou à estrela pop, acompanhada do então governador, Sérgio Cabral, e sua mulher, Adriana Ancelmo. Mal sabia aquele jovem músico que, sete anos depois, iria se preparar para tocar novamente para a ex-primeira-dama, mas dessa vez por ocasião de sua prisão.

Rodrigo, hoje com 26 anos, e Thyago Ribeiro, de 18, roubaram a cena, na tarde de terça-feira, ao executar no violino o hino nacional e a música do filme “Titanic” em frente ao prédio de Cabral e sua mulher, no Leblon, enquanto a Polícia Federal fazia buscas no local.

Os jovens, que aprenderam a tocar o instrumento em projetos sociais, se conheceram há dois anos, na Orquestra Sinfônica Jovem do Rio, patrocinada pelo estado. Desde então, fazem apresentações pela cidade. Mas foi por acaso que, na terça-feira, protagonizaram um protesto de forma incomum.

A dupla tinha acabado de se apresentar em frente a um supermercado na Barra e seguia para outra apresentação em uma padaria no Leblon. Ao descer do ônibus, eles viram uma aglomeração de pessoas e se aproximaram. Só então descobriram que era uma manifestação em prol da prisão de Adriana Ancelmo.

— Uma moça viu os instrumentos e sugeriu que a gente tocasse. A gente ficou receoso, por causa da polícia, mas as pessoas insistiram e começaram a gritar, em coro: “Toca, toca”. Um olhou para o outro e então resolvemos tocar — conta Rodrigo, que avalia: — Eu fiquei orgulhoso quando toquei para eles, lá atrás. Mas agora é diferente. Se erraram, têm que pagar.

Apesar de a ex-primeira dama não ter sido encontrada no apartamento — ela se entregou mais tarde, no mesmo dia —, a dupla foi ovacionada. Os aplausos foram tão calorosos, que os jovens decidiram passar o chapéu. Eles se divertiram ao ouvir alguém dizer, antes de jogar uma nota: “esse dinheiro aqui é honesto, hein!”. A arrecadação não foi das melhores — cerca de R$ 40 — mas a sensação de desabafo compensou.

— Muitas vezes a justiça falha. Quando funciona, é preciso celebrar. Executar o hino foi uma forma de dizer isso através da arte — diz Thyago Ribeiro.

Sonhadores Rodrigo nasceu no Dona Marta e viveu lá até 2013, quando se mudou para a Vila Cruzeiro, na Penha. Perdeu o pai aos 5 anos e foi criado pela mãe, que trabalhou em casas de família para sustentar sozinha os quatro filhos. Rodrigo chegou a conciliar os estudos com um trabalho em um mercado para engrossar a renda da família.

Teve o primeiro contato com a música aos 16 anos, com o projeto Ação Social pela Música no Brasil, patrocinado pelo governo do estado, que se instalou na comunidade de Botafogo. Pelo bom desempenho, foi selecionado para participar da Orquestra Sinfônica Jovem do Rio, com a qual se apresentou para Madonna, Cabral e Adriana.

O jovem, que largou os estudos no 1º ano do ensino médio para se dedicar à musica, pretende agora voltar às salas de aula.

— Meu grande sonho é viver da música — diz, sem hesitação.

Thyago é nascido e criado em Santa Cruz da Serra, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Filho único de um rodoviário e uma dona de cabeleireiro, ele teve seu primeiro contato com a música aos 7 anos.

— Aos 7 anos, vi uma orquestra na igreja Congregação Cristã no Brasil. Na mesma hora quis participar. Entrei para a orquestra da igreja e fiz o curso básico. Mas queria mais. Queria seguir carreira profissional. Depois de lá, ingressei no curso da Faetec e, em seguida fui para o projeto Som Mais Eu, na Central — conta.

O jovem também teve uma passagem pelo projeto Ação Social pela Música no Brasil, e foi igualmente selecionado para a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio. Lá, conheceu Rodrigo, com quem se uniu para, junto com outros amigos, formar um grupo de violinistas que tocam em eventos da cidade.

Agora, Thyago se prepara para um novo desafio: no sábado ele presta vestibular para Música na UFRJ.

— Estou firme no meu sonho de seguir carreira profissional — diz.


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Jovem de Tatuí é primeiro saxofonista brasileiro em Conservatório na França

Bruno Camargo passou em seleção para conquistar vaga em Lyon. Aos 22 anos, rapaz conta que carreira começou no Conservatório da cidade.
Caio Gomes Silveira, do G1 Itapetininga e Região

Jovem conquistou vaga para estudar em conservatório na França (Foto: Arquivo Pessoal/ Bruno Camargo)

O saxofonista Bruno Camargo, de Tatuí, alcançou o posto, aos 22 anos, de primeiro brasileiro a ser aceito para estudar saxofone clássico no Conservatório Nacional Superior de Música e Dança de Lyon, um dos mais tradicionais da França. Para conquistar a vaga, o jovem conta que passou por avaliações práticas em junho deste ano, e disputou com 16 músicos de diversos países da Europa e da Ásia para sete vagas.

Bruno aprendeu a tocar instrumento na igreja (Foto: Divulgação/ Conservatório de Tatuí)

“A competição para entrar foi grande, igual competição de futebol. Na minha classe somos 15 alunos ao total, pois juntamos com outros 8 alunos que já estavam no Conservatório. Mas sou o único sul-americano. O restante é composto por europeus e asiáticos. Eu também fui aprovado no Conservatório de Grenoble, também na França, mas optei por Lyon por ser um dos principais conservatórios do país, ao lado dos de Versalhes e Paris. Minha família ficou muito orgulhosa quando soube do resultado. Estou muito feliz também”, ressalta Bruno.

O jovem afirma que a paixão por saxofone começou aos 13 anos, quando entrou em contato pela primeira vez com o instrumento em sua igreja. Aos 14 anos, ele ingressou no Conservatório de Tatuí e não parou mais de estudar. “Quando comecei eu fiquei ‘doido’. Treinava todo dia, de segunda a segunda e três horas por dia. No primeiro ano continuei assim, mas por um período eu dei uma relaxada e diminui a intensidade. Mas graças ao que aprendi na igreja consegui pular um ano no Conservatório de Tatuí. Não só eu, mas muitos e muitos alunos de música saíram das igrejas. Sai muito músico bom delas”, diz.

No ensino médio, Bruno afirma que voltou a estudar saxofone intensivamente, tendo até alguns problemas na escola. “Na escola não fui 100%. Fui um aluno mediano. Em contrapartida, cheguei a praticar saxofone cinco horas por dia. Nesse período até fiquei meio estressado, mas valeu a pena. Sou muito grato a todos os meus professores do Conservatório de Tatuí por me ajudar a realizar esse sonho de estar na França”, diz.

Além de formado pelo Conservatório de Tatuí em saxofone erudito, ele também é licenciado em música pela Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), foi integrante da Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí e da Banda Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo, além de ter sido vencedor em uma audição para a turnê da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo pelos Estados Unidos e um dos vencedores da audição realizada no Festival Internacional de Música realizado pela Universidade Federal de Santa Maria para intercâmbio na Universidade da Georgia (EUA). “Não penso mais em fazer outra coisa além da música. Desde que saí da escola vi que era isso mesmo o que queria. Estou ‘mergulhado’ na música, não tem mais volta. Estou focado nas apresentações de música erudita, por enquanto só concertos assim”, diz.

Jovem estuda com alunos europeus e asiáticos (Foto: Arquivo Pessoal/ Bruno Camargo)

Novos aprendizados O jovem iniciou as aulas em Lyon em julho e, apesar de gostar da cidade, não se vê fazendo carreira na Europa. “Sinto que meu dever é voltar ao Brasil, contribuir e tentar ajudar com o estudo do saxofone no Brasil. Isso porque no país o estudo do saxofone não é tão desenvolvido como aqui na Europa ou até mesmo comparado com os instrumentos de corda”, revela.

Em entrevista ao G1, o professor do jovem no Conservatório de Lyon, Jean-Denis Michat, afirmou que ele é o quarto sul-americano a estudar saxofone no local. Antes dele passaram apenas dois colombianos e um argentino. Apesar do pouco tempo de convivência, Michat ressalta a aplicabilidade do aluno.

“Ele é muito sério e quer aprender com intensidade. Tentarei ajudá-lo a pegar a técnica francesa tomando o cuidado para que ele não perca sua identidade brasileira. Definitivamente o objetivo é unir o melhor desses dois mundos.”

Rotina O curso em Lyon tem duração de dois anos e é isento de mensalidade. Além das aulas, os alunos têm a chance de se apresentar em concertos pela Europa. “Minha primeira apresentação com o grupo será na Rússia em fevereiro do ano que vem”, afirma o jovem.

Segundo Bruno, a vida na França está sendo paga, por enquanto, pelos pais e ele está morando no apartamento de um casal que pertence a mesma igreja que a dele, a Congregação Cristã no Brasil. Com uma rotina de aulas e treinos, o música conta que mal pôde passear por Lyon.

“Além do período de aula o professor pede para que a gente treine seis horas por dia individualmente. Mas pelo que pude ver é uma excelente cidade, muito bonita e mais ou menos do tamanho de Sorocaba (SP), que tem 600 mil habitantes”, completa.

Além de estudar a prática e teoria do instrumento, o jovem também está aprendendo francês e inglês. Segundo ele, só tinha o básico das duas línguas antes de ir para o Conservatório. “Está uma loucura. Minha cabeça está cheia de coisas (risos). Além de todas as aulas, tem a saudade da família e a adaptação a um país diferente. Contudo, apesar do cansaço, é uma coisa boa para minha vida”, comenta.

Jovem sonha em contribuir para o estudo do instrumento (Foto: Divulgação/ Conservatório de Tatuí)